Por Henrique Martins
Sempre que um terremoto ou tsunami destrói parte de um país eu ouço ou leio na internet a seguinte declaração: Tá vendo? Esse terremoto/tsunami é culpa do homem! Se cuidássemos mais do nosso planeta isso não aconteceria!
A verdade é que essas pessoas demonstram tanta certeza de que o ser humano tem potencial para destruir o planeta que chegam ao absurdo de dizer que um terremoto é causado pelo aquecimento global. Mas um tsunami só pode ser causado por 4 fatores: terremotos submarinos, deslizamentos de terra submarinos, erupções vulcânicas submarinas ou meteoritos. E NENHUM desses fatores pode ser causado ou evitado pela ação humana.
Percebe-se que muitas das pessoas que afirmam isso simplesmente se escoram no “achismo” e preferem dizer o que seria politicamente correto nesta situação: Que toda e qualquer catástrofe natural é culpa do ser humano. Outras se esforçam para seguir a qualquer custo a ideologia “Salve o planeta”, mas na ânsia por achar um culpado para a catástrofe acabam jogando a culpa no bandido errado! Em um fantasioso tribunal planetário o ser humano poderia se defender com propriedade: Sim! Eu joguei toneladas de dióxido de carbono na atmosfera, causei o degelo de icebergs continentais e enlouqueci o clima, mas não causei terremoto ou tsunami nenhum!
Contudo, como já dizia o finado comediante norte-americano George Carlin: “Nos achamos muito importantes e agora todos querem salvar alguma coisa. Salvar o planeta? Nós nem sabemos cuidar de nós mesmos!”. É preciso incorporar a consciência de que o planeta não é nosso, ele apenas nos permite estar aqui por um breve momento de sua longa existência.
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| Essa bolinha azul está por aí há pelo menos 4,5 bilhões de anos. O aquecimento global vai no máximo nos matar. |
Voltando ao assunto – o problema desta alienada busca por um culpado quase sempre é o estopim que leva a pensamentos discriminatórios e/ou racistas como: É! Esse mundo está perdido! Tudo culpa dos ________ (insira no espaço qualquer espécie de minoria discriminada). Nesse panorama, cada ideologia encontra um culpado diferente, pois esse tipo de comportamento generalizador é comum não apenas entre os pseudo-ambientalistas, mas entre todo tipo de pessoa com ideologias ferrenhas – feministas que agem como homens, machistas que odeiam gays, vegetarianos (tá, esses talvez nem tanto), religiosos que dizem que ateus vão para o inferno, ateus que dizem que religiosos não irão a lugar algum, e todo indivíduo com um sistema ideológico absoluto que não se dispõe a mudanças de pensamento.
E este é o grande problema da famosa ideologia: ela pode ser facilmente deturpada e usada para interesses de minorias privilegiadas. Por causa do absolutismo de ideias (em outras palavras, a fé cega) que as guerras religiosas no Oriente-Médio continuam a matar inocentes aos milhares. Que a Inquisição ganhou tanto poder na Idade-Média. Que até hoje encontramos grupos afeitos ao ódio racial como neonazistas ou Ku Klux Klan.
Entretanto, tudo isso está muito longe de nós. Podemos encontrar paralelos menores em nossa própria realidade. Afinal, que jovem nunca sentiu pelo menos uma pontada de aversão às “modinhas coloridas”? Aos emos ou Justin Bieber? Essa antipatia ao diferente contém, em certo grau, o germe do ódio que sempre caracterizou a dinâmica problemática dos grupos sociais humanos – que nunca foge ao padrão de enxotar os diferentes a sua própria sorte.
Infelizmente, por muito tempo os Direitos Humanos serão apenas palavras bonitas, destinadas a forjar um verniz de justiça e igualdade à sociedade. Afinal, o apego extremo a uma ideologia é pai do preconceito, e consequentemente a causa do sentimento mesquinho de que tudo que é novo ou diferente é ruim. Decerto que minhas palavras não pretendem pregar o agnosticismo, mas acredito que a tolerância, independente da ideologia pessoal, é a palavra de ordem para um mundo melhor.
Parafraseando Cazuza: Ideologia! Será que eu quero mesmo uma para viver?


